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6 segundos de som

Como pode um trecho de 6 segundos de som gerar inúmeras versões e, até certo ponto, alguns gêneros musicais inteiros? Como ficam a indústria fonográfica e o sistema de propriedade intelectual diante de gerações sucessivas de música baseadas umas nas outras?

O documentário de Nate Harrison sobre o Amen Break já não é, na verdade, muita novidade - o vídeo é de 2006. Ele mostra como um sample de um lado B obscuro de um compacto dos soulmen Winston Brothers foi largamente utilizado pelo hip-hop, para depois se transformar na fundação do Jungle e do Ragga, mas não o vi o vídeo circulando na internet brasileira, daí publicá-lo aqui. Ele investiga de forma inspirada a história desse sample e como, no caso, o fato de os direitos autorais terem sido ignorados foi fundamental para um enorme volume de produção criativa, e termina apontando pra necessidade da flexibilização de direitos autorais através de licenças como as do Creative Commons e afins.

Aqui no Brasil, temos um caso similar: durante muitos anos o funk carioca baseou-se quase exclusivamente no 808 Volt Mix de um desconhecido DJ de Miami Bass chamado Battery Brain, com menos retoques que no caso das utilizações do Amen Break.

Depois veio o tamborzão, já misturado com o maculelê brasileiro, mas o Volt Mix segue sendo uma base popular entre os MCs até hoje.

808 Volt Mix:

Fica a pergunta: o que teria sido do Funk Carioca se os direitos autorais tivessem sido respeitados? Acredito que não teríamos tido Funk Carioca nenhum.

Brinde: pra quem já conhecia o vídeo sobre o Amen Break, vale a pena ver também o vídeo do mesmo autor sobre o sintetizador de baixo Roland TB-303, uma máquina que não deu certo pro uso projetado mas que acabou gerando todo o gênero Acid e um bocado de Techno. Aproveite e baixe seu emulador de TB-303 aqui e divirta-se.

6 Respostas para “6 segundos de som”


  1. Icone Gravatar 1 Marcos Azambuja

    Essa discussão sobre direitos autorais na era digital está muito longe de alcançar um denominador comum. No endereço www.goodcopybadcopy.net está disponivel para streaming e download um documentário bem legal (e que fala também sobre o tecno-brega e o funk carioca) que é o “Good Copy, Bad Copy”. E essa estória do fragmento musical que vira moda é ótima! Lembra um pouco o caso da ultrasampleada batida de bongô e bateria de “Apache” (www.youtube.com/watch?v=W2SKM81jXmc), da Incredible Bongo Band (que por sua vez é um cover do original dos anos 60, pela banda The Shadows www.youtube.com/watch?v=jrKzULc4Sfg). Reciclagem, reciclagem…

  2. Icone Gravatar 2 Wagner Brenner

    Excelente! Bem vindo Felipe!

  3. Icone Gravatar 3 Jorge Carvalho

    Esse documentário do TB-303 é muito bom! Quero um pra mim!!!

  4. Icone Gravatar 4 Felipe Vaz

    Não conhecia o original do Shadows não! Eu gosto também da versão do Tommy Seebach: http://www.youtube.com/watch?v=GFGzGfym-7Y

    E agora que estou usando bigode, preciso manter o cabelo curto pra não ficar igual a ele…

  5. Icone Gravatar 5 Marcos Azambuja

    Das, que coisa mais tosca é essa!!! Você parecido com ele? Então vai ter que dar as reboladinhas… (e qual é o nome das chacretes?)

  6. Icone Gravatar 6 beto

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