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Warner: mais do mesmo, de novo e em loop

À primeira vista pode parecer que a Warner Music do Brasil está tentando se sintonizar com os novos hábitos trazidos pela internet, mas os velhos hábitos da major ainda resistem: desde dezembro e durante 2008 serão lançados 150 CDs de coletâneas com o catálogo da gravadora (daquelas que acabam no cesto de ofertas do Extra por R$4,99). Curioso: a coleção se chama “Nova Série” (sic). O slogan “música com um toque a mais” é explicado pelo fato de que quem comprar um dos CDs poderá baixar um ringtone do artista (batizado de truetone - mas qual seria o falsetone?). Porém, apenas 1 música por artista, ainda assim escolhida pela gravadora (sim… a Warner realmente entende de web 2.0). Para deixar a coisa toda com uma cara mais moderninha, é divulgado que a série “concilia os formatos fisico e digital, conjugando tradição e modernidade”. Uau!

Ok, a abrangência musical desses ringtones é relativamente grande, com material antigo (como Baden Powell, Cauby Peixoto, Angela Maria, Dick Farney, Os Cariocas…), samba (Dona Ivone Lara, Jamelão, Noite Ilustrada, Candeia…), MPB setentista (Secos & Molhados, Gilberto Gil, Ivan Lins, A Cor Do Som…), rock anos 80 (Barão Vermelho, Ultraje a Rigor, Ira, Titãs…), axé, sertanejo e pagode.

Ora, o fato da major ter escolhido “inovar” usando um repertório antigo é mais um sinal do que define e norteia as decisões da gravadora: apenas reciclagem de material anterior. O que, ao mesmo tempo, revela muito do que é a Warner (e outras) hoje em dia: um depositário do passado, um gigantesco catálogo das memórias musicais de algumas gerações. Talvez as grandes e antigas gravadoras pudessem relaxar e se focar se assumissem de vez o papel que lhes sobra, ou seja, o de disponibilizar TODA a memória musical pública, lucrando com isso (obviamente não aqueles mesmos lucros do passado, mas já seria uma aposentadoria digna). Isso se as majors aceitassem que nossa História é memória pública, o que acho dificil, pois enquanto permanecem embolorando em salas úmidas, os tapes que registram 1 século de invenções musicais e sonoras ainda são propriedade privada de um grupo de pessoas que não deve se interessar pela preservação dessa mesma memória (não, não estou pregando a socialização desses arquivos). É mais fácil lançar as mesmas músicas de sempre, ano após ano, até que o último dos executivos se mude para Miami para curtir sua aposentadoria (ih, estou ficando sentimental e ranzinza…). Ainda bem que existe a internet, onde sites como o carioca Loronix coloca no ar milhares de discos fora de catálogo (e que provavelmente nunca mais serão relançados no formato fisico).

Opa! Feliz 2008!

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