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A morte da alta fidelidade

Há pouco saiu materiazinha amiga na Rolling Stone americana sobre a “piorização” da qualidade de som dos CDs atualmente, masterizados de forma tosca pra que as músicas sobrevivam com um bom volume à compressão do mp3.

Masterização é o processo de pós-produção pelo qual passa um álbum. Nessa etapa se acerta o volume do conjunto todo, se reduzem os ruídos, se faz uma equalização única, resumindo, é onde uma boa parte do clima do disco é definida e o masterizador tem que ter a manha pra não achatar ou expandir demais o som da banda, encontrar o ponto certo da história.

O que vem ocorrendo é a criação de um novo padrão de masterização no qual grande parte das nuances são eliminadas em benefício de um volume maior, com mais intensidade. O problema é que isso também significa menos diversidade no som, o que deixa as músicas todas meio iguais. Por exemplo, você pega a visualização gráfica da antiga Smells Like Teen Spirit …

… e compara com I Bet You Look Good on The Dancefloor do Arctic Monkeys…

Sacou? Não é que os Monkeys sejam mais intensos do que o Nirvana. É que o disco deles foi masterizado de forma mais intensa, comprimindo o som e carregando no volume de forma absurda.

A justificativa da indústria para essa mudança é que o som precisa ser mais alto pra fazer sentido sob a forma de um arquivo comprimido (MP3) e que é consumido cada vez mais em caixinhas de computador e fones de iPod, que não oferecem uma fidelidade muito boa no som.

Para o usuário médio isso não faz a menor diferença, mas há artistas, produtores e uma parte do público incomodada com isso. Em alguns casos, até mesmo certos instrumentos ou detahes da música somem no meio da zoeira.

O que provavelmente vai acontecer é que os álbuns “mais bem masterizados” vão se tornar também parte de um nicho indicado (na matéria já se cita movimentos nesse sentido): artigos direcionados, baseados na disposição de uma banda ou um produtor querendo se conectar a um público interessado em uma experiência mais sofisticada em termos de sonoridade.

Apesar de adorar som, não sou propriamente um audiófilo e não vejo volta nesse standard. Evito, na medida do possível, as lamentáveis caixinhas de computador, mas morro nos fones de mp3 player. O som do meu Creative Zen até é bem razoável e há pouco passei uns meses com um celular Motorola K1 que tinha mp3 player e uns fones decentes. Depois de ser roubado, tive que pegar um LG cujos fones já são bem mais podrinhos, mas é a vida.

Isso tudo não é um caso isolado. Como escrevi num post do Conector ano passado, acredito que vivemos uma era de extrema tolerância à baixa resolução, não apenas na música mas também na fotografia, nas artes gráficas, na alimentação e nos relacionamentos humanos. Nénão?

(post publicado originalmente no Conector)

2 Respostas para “A morte da alta fidelidade”


  1. Icone Gravatar 1 mauricio

    toda a razão…
    a cable tv qdo tem cena escura os blacks são todos distorcidos.
    parece minha primeira câmera casio digital que tinha resolução de menos de 1 mgpixel.
    show em estádio é com um som ensurdecedor.
    em festas então nem pensar. só grave distorcido e agudo estourado.
    foto é jpg em baixa.
    filme não tem texto inteligente…
    acho que só os efeitos especiais, as computações gráficas evoluíram.
    qto ao som de master, a coisa não é de hj. vem desde o começo do cd.
    compara o nirvana com um master de cd de miles davis 60’s…
    mas , sim. as coisas estão bem piores.
    e concordo, é um tendência irreversível na música.
    infelizmente.

  1. 1 Qual é a boa? « Comunicar pra quê?

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