A edição de dezembro da Wired traz uma boa matéria sobre o CEO da Universal Music, Doug Morris, de 68 anos. Contratado em 1995 pela major (que, junto com a Warner, Sony BMG e EMI, é responsável por cerca de 90% das vendas de música nos EUA) ele é conhecido por pressionar e até processar grandes empresas e sites como Yahoo, You Tube e Microsoft para fecharem acordos que garantam algum ganho à Universal pela transmissão de videos on_line de seus artistas ou pela venda de Zunes. Sim, ele é um Lobo Mau da web.
A Wired desenha ele como um executivo que não se interessa por novas tecnologias ou internet, mas que se vê obrigado a lidar com elas para tentar sobreviver - não sem um rancor evidente: “Tivemos margens de lucro gigantescas com o CD, e nunca mais teremos iguais” ou “Este negócio permaneceu o mesmo por 25 anos” (e agora vem essa gente querendo mudar tudo). A atitude de Morris é “tocou nosso catálogo, tem que pagar” - o que pode garantir ganho imediato mas não é a chave para a sobrevivência dessas gigantes (que, aliás, parecem estar cada vez mais se transformando apenas em um depósito de música ‘antiga’).
A obsessão por lucros a curto prazo, aliás, parece ser o mantra que embala o funeral desse modelo de negócios. Acostumados a pensar sempre em termos do “próximo trimestre”, os executivos das majors se mostraram incapazes de dar novas direções à sua atividade, e não souberam procurar quem os ajudasse nessa tarefa: “Não há ninguém na indústria do disco que seja um tecnologista (…), nós não sabíamos a quem contratar. Eu não seria capaz de reconhecer um bom profissional em tecnologia, e qualquer um com uma boa lábia poderia ter me passado a perna.” É, mas a rasteira veio de qualquer jeito…
Um ponto na matéria é crucial para entender o comportamento do ouvinte e consumidor de música: comparando a média norte-americana de 650 milhões de unidades (LPs e K7s) vendidas entre 1970 e 1990 e as 900 milhões (CDs) vendidas em 2000, percebe-se como a flexibilidade e facilidade de manuseio trazidas pelo CD influenciou esse aumento (p. ex., pular da faixa 1 à 7 no controle remoto, ouvir o album no carro…). A questão aqui é: como na web, quanto mais possibilidades de controle o consumidor tem, mais ele é atraido pelos produtos musicais. Independente da qualidade ou resolução sônica da música (não preciso falar que os arquivos MP3 são muito mais pobres do que seus originais em CD, embora isso não importe quando se ouve música pelos falantes do computador).
O que, por sua vez, leva a outra constatação (óbvia mas obrigatória): ouvir muita música em sistemas de som lo-fi pode criar uma referência igualmente lo-fi do que seja um “bom som” (ei, estou falando de qualidade de áudio, definição, limpeza e equilibrio, e não da qualidade musical e artística em si). Aliás, nesse sentido, os blockbusters nos multiplex de cinema são a coisa mais próxima a uma boa experiência sonora que uma pessoa comum pode ter. Aliás, os grandes estúdios de gravação dos EUA estão investindo e faturando alto com trilhas e sound design para filmes e videogames (mais recentemente). Fico imaginando que, daqui a pouco, os estúdios onde foram gravados todos os grandes discos dos últimos 30 anos serão usados principalmente na criação sonora para cinema, games, celulares…
Mas aí já é assunto pra outra feijoada…
UPDATE: parece que o departamento que cuida de direitos autorais da Warner aqui no Brasil não usa email, só se comunica via fax. Se for verdade, ay caramba!!!


0 Respostas para “CEO Da Universal Music Na Wired”