Em seu último artigo de seu blog The Long Tail, Chris Anderson (editor da Wired) escreve sobre as transformações pelas quais vem passando a indústria musical nos últimos anos, mais especificamente a queda na venda de CDs e DVDs causada pelo comércio on_line e pela pirataria. E expõe um ponto muito simples: o rombo das grandes gravadoras - as majors - é na venda do suporte fisico em si, que teve em média uma queda de 18% em relação a 2006. No que diz respeito a outros campos de lucro, a indústria vai bem: 86% de aumento dos ganhos com a venda de ringtones (números da RIAA, Recording Industry Association of America), 46% nos downloads pagos (612 milhões de downloads), 3,7% na comercialização de shows (US$ 1 bilhão em lucros a mais em relação ao 1º semestre de 2007), ganhos com o licenciamento de músicas para comerciais, videogames, filmes e programas de TV (a Warner anuncia um crescimento de US$ 20 milhões sobre o mesmo periodo de 2006)… Sim, esses são números do mercado americano, e se eu tiver algum dado da realidade brasileira coloco aqui. E também são números que refletem principalmente a realidade das carreiras dos artistas mais populares, não do mercado independente (que se organiza à margem dos milhões).
Aliás, as possibilidades para as celebridades musicais continuam bem abertas: Madonna acabou de trocar sua Warner pela Live Nation, empresa especializada em promoção de shows; Prince distribuiu seu CD de graça junto com o Daily Mail, para promover seus shows na Inglaterra; Radiohead e sua não-venda-que-vende; e aqui no Brasil, a Sony BMG virou Day1 Entertainment, pretendendo focar fortemente seus negócios em agenciamento de artistas (Maria Rita já está com eles), o que significa gerenciamento de shows e participação nos lucros gerados pela música (ringtones, licenciamento, etc) independente das vendas de CDs e DVDs.
O que Chris Anderson não colocou (mesmo porque não tem números oficiais, que aliás nunca serão oficiais) é o quanto o jabá erodiu a economia das majors (será que poderemos passar a chamá-las de minors daqui pra frente?). Está todo mundo se mexendo, vendendo ou dando CD de formas diferentes, ganhando dinheiro em outras frentes… Legal, mas se esse jabá por baixo do pano continuar a ser tão importante para a divulgação do artista quanto vinha sendo antes, não terá adiantado nada (para as gravadoras). O grande lucro vai chegar da venda de grandes shows? Ótimo, mas se para divulgar esses artistas ainda for necessária uma conta na Suiça, pra quê plantar tanta bananeira? A pirataria é o bode expiatório dessa estória toda, mas o jabá já tinha comido todo o pasto antes do camelô chegar. Bom, isso já é outro capitulo…

