Ô mano, aniversário de São Paulo: parabéns aê, véinho! Eu tenho uma experiência urbana interessante: morei no Rio de Janeiro o ano de 2005, e lá quem é de fora se localiza muito rápido no mapa. É fácil: a cidade é um corredor espremido entre o mar e os morros, e que depois desagua na Barra da Tijuca (que não é o Rio e que quer ser Miami…). Então lá você sabe exatamente aonde está e para onde vai, uma sensação mais diluida em São Paulo, cidade-monstro esparramada invadindo os municipios vizinhos. Tudo isso contribui para o sentimento de bairrismo do carioca, de pertencer, sentimento quase ausente em São Paulo. Repare: centenas e centenas de sambas foram escritos louvando tal ou qual vizinhança, morro ou região do Rio. Se São Paulo fosse entrar na comparação, tadinha da cidade…
E aí eu me lembro do Adoniran Barbosa falando sobre “Trem das Onze”. Perguntaram a ele sobre o verso “Moro em Jaçanã”: afinal, por qual motivo foi Jaçanã nomeado a ser esse bairro tão longe de tudo? E o Adoniran: “E eu lá sei aonde fica essa porcaria de Jaçanã?” Agora, imagine se existiria remota possibilidade de um compositor carioca (ou de qualquer outra cidade brasileira) não dominar a cidade que está cantado? Ê, São Paulo…

