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Arquivo para updates sobre 'Industria Fonografica'

Por que autorizar o download grátis de músicas?

nin-downloads-us.jpgO NIN lançou seu último trabalho “The Slipgrátis através de seu site. Eles oferecem algo grátis e ficam com uma informação valiosa: os dados de todos os downloads. Assim podem escolher analiticamente, por onde passar na próxima turnê. Na música, parece funcionar muito bem, ganha quem consegue estar antenado na capacidade de análise que a internet proporciona. Clique na imagem para ver com mais detalhes.

Update: O NIN acaba de adicionar São Paulo (07 de Outubro) e Porto Alegre (09 de Outubro) na turnê da América Latina deste ano.

Kid Rock Anti-Pirata

Kid Rock, músico de sucesso nos Estados Unidos, não concorda com os downloads grátis de suas músicas. Na NBC, ele relembrou músicos como Otis Reddings e Chuck Berry, que eram constantemente passados para trás nos acordos comerciais e disse que a internet seria o meio para isso acabar. Radicalizou e não entendeu o ponto!!!??? Confira no vídeo.

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Trama e seu Álbum Virtual - de graça

Discos de graça, diretamente da gravadora? Quem garante é João Marcello Bôscoli, sócio da Trama. E a implementação dessa realidade junto aos internautas atende pelo nome de “Álbum Virtual”, projeto que ganha corpo 20 de junho com a versão ao vivo do disco “Danç-Êh-Sá”, de Tom Zé. Mas quem inaugurou a estória toda foi a banda Dance of Days, dia 15 de maio. A intenção é que, até o final do ano, discos de Elis Regina e Tim Maia (como o seu “Racional”) estejam integralmente disponiveis para download no site da gravadora, de graça. E, com o tempo, todo o catálogo da Trama estaria assim disponivel.

A idéia vem sendo maturada e experimentada já há algum tempo, desde a adoção do download remunerado em 2007, no qual as faixas eram baixadas individualmente a partir do site da gravadora, o Trama Virtual. Desde o download remunerado, os royalties e custos de produção eram pagos por patrocinadores de empresas parceiras da Trama. O valor pago varia de acordo com a arrecadação mensal junto às empresas patrocinadoras. No caso do projeto Download Remunerado, 2.540 bandas e artistas se cadastraram, gerando mais de 126 mil downloads nos 2 primeiros meses.

Essa é a iniciativa particular da gravadora para se adaptar à era de internet e à crise da indústria fonográfica. Segundo Bôscoli, a inspiração veio da TV aberta, onde se tem conteúdo gratuito bancado pelo patrocinio dos anunciantes. No caso do Álbum Virtual, os discos ficam disponiveis para download por tempo limitado, e são lançados na web antes de sua versão fisica chegar às lojas. Leia aqui entrevista de João Marcello à revista Cult.

H. Hancock e Q. Jones: techies já em 83

(por Luiz Godoy, via DropPost)A década de 80 foi a década dos sintetizadores. Uns o usaram para o bem, outros para o mal, com bem lembra o próprio Herbie Hancock neste video de 1983, que mostra um namoro desses dois gigantes da música com a tecnologia da época. Um momento descontraído que mostra um pouco do que aconteceria com o trabalho dos dois nos anos seguintes. 

Festival Abril Pro Rock 2008

Nesse 2008 o Abril Pro Rock completa 16 anos, ou seja, as espinhas estão pipocando tanto no rosto que só Acnase pra dar jeito (ainda existe Acnase? E Clearasil?). Vai, filhote, vai direto ao ponto: dias 11, 12 e 27 no Recife. Este ano 2 bandas nordestinas serão escolhidas via internet para participar do festival (em tempos de MySpaces e Orkuts não poderia ser diferente). Mas não são somente os brasileiros que espremem as espinhas por lá: 5 bandas estrangeiras estarão presentes, dentre as quais os históricos New York Dolls, banda novaiorquina glam-pré-punk. Confira a programação dobrando o post:

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Nude Re/Mix

Mais uma do Radiohead, desta vez eles criaram um concurso onde as pessoas devem: comprar as diferentes faixas (guitarra, bateria, teclado, etc) do novo single Nude, fazer remixes, upload e ranquear os melhores. A votação termina dia 1º de maio e os 10 mais votados ficarão na página com nome, contato, etc. Cada participante ganha um widget que pode ser inserido em web sites e blogs.

Clipe do single Nude abaixo:


Beatles, Guitar Hero e Rock Band

E enquanto as coisas vão mal para o CD, as gravadoras e editoras faturam bem com o Guitar Hero e com o Rock Band. Novas galinhas dos ovos de ouro, esses games trazem as versões originais (e algumas cover) de clássicos e quase-clássicos do rock. Se você nunca jogou, é o seguinte: você escolhe a música e o instrumento que quer tocar, e tem que acertar as notas no joystick-guitarra (e no caso do Rock Band, da MTV, pode optar por tocar bateria ou cantar). E tome vendas de músicas on-line direto pro console!

Agora, a Sony Music (que detém o catálogo dos Beatles) está em negociações com a Activision (criadora do Guitar Hero) para colocar as músicas dos fab four à disposição da galera. A Activision já estava pra lançar um pacote com músicas do Aerosmith, agora deve aproveitar e lançar a turma do Paul e do John na sequência. Vou pedir pra incluirem “I’m The Walrus”!

a música dos restaurantes

fiquei na dúvida se postava isso na ouvidoria ou no gourmet. mas vai lá…há uns dois anos, depois de escutar reclamações e saber que o cara pagava uma grana mensal para receber cdrs e tocar no seu restaurante uma musiquina meia boca, eu fiz um play list para o ipod da vinheria percussi, dos amigos silvia e lamberto.pensei no tipo de público e montei playlists para almoço e jantar. música para tocar sem repetir por uma semana.vários clientes habitués elogiaram e até a assessora de imprensa deles veio me perguntar qto eu cobraria por este serviço para outros restaurantes.bem, apesar do relativo sucesso, não transformei isso num ramo de atividades !.. mas lendo o blog de gastronomia do NYT percebi que o nicho é forte nos EUA ( veja aqui).tem até um debate do tipo ” eu não tercerizaria minha carta de vinhos e por isso não faço o mesmo com a música do meu restaurante”.ok. faz sentido, se vc acreditar que a música do restaurante , assim como os quadros na parede dizem algo sobre quem cria a comida… e se o chef tiver mesmo múltiplos talentos!mas muita gente terceiriza, sim, a carta de vinhos e a decoração. e até a sobremesa. e nem sempre o resultado é ruim.talvez a música de vários restaurantes melhorasse muito se houvesse esta preocupação .(se o tanger tivesse outros cds de música marroquina além daquele….rsrsrs) veja as matérias, aqui e aqui. e já que este é um post meio esquizitoo veja tb a coreografia dining alone!

Noel Rosa agora é dominio público

Só pra dar um toque: a partir deste ano a obra do Poeta da Vila virou dominio público. Isso significa que, para quem quiser gravar qualquer música dele, não será mais necessário pedir autorização nem pagar à editora que gerencia sua obra (veja a lista completa das canções liberadas expandindo este post). Valendo para produções fonográficas, radiofônicas, publicitárias e cinematográficas (e web). Vale pra tudo. Alô alô, vamos gravar e regravar, agora é grátis!

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Reflexões em música pop

O meio musical é pródigo em discussões e reflexões. O problema é que muitas delas não saem das mesas de bar e dos backstages, tudo regado a teorias descompromissadas e muita cerveja - na melhor das hipóteses. Agora cruze os termos “reflexão”, “música” e “blogs” e começamos a ver que é possível não só gerar discussão inteligente como pontos de referência, locais onde essas reflexões ficam registradas e que podem ser consultadas, linkadas e remexidas.

Ultimamente, venho me alimentando em meia dúzia de blogs que discutem as questõs acerca do novo mercado musical e que acabam oferecendo insights interessantes sobre o estado das coisas em geral - não apenas na área da música.

O Hi How Are You? do Eduardo Ramos é um bom exemplo. Indie de longa data, Eduardo já trabalhou na área de artistas internacionais da Trama, levou o Cansei de Ser Sexy pra turnês mundiais (o que acabou em treta, mas enfim, eles que são branco que se entendam), assinou com o Franz Ferdinand pela Trama antes de todo mundo (todo mundo mesmo), fez shows do Mutantes na Europa, trouxe o Teenage Fanclub pro Brasil, entre uma lista de outros bons serviços prestados à “cena”.

Seu irmão, Bruno Ramos, vem fazendo um trabalho de entrevistas, debates e pesquisa a respeito dos caminhos burocráticos e econômicos que as bandas independentes percorrem. Bruno, como Eduardo, é advogado e traz uma visão um pouco mais mercadológica e menos conceitual que é fundamental e bem-vinda. Tudo isso está indo pro blog Música e Mercado.

O produtor Pena Schmidt (uma parte da história do pop brasileiro passou por suas mãos), por sua vez, escreveu bastante no ano passado no Peripécias de Pena. O blog não tem um post novo já há algum tempo, mas o que está arquivado vale uma boa vasculhada.

Outra boa dica é ficar ligado no Trabalho Sujo do Alexandre Matias. O blog em si não cobre apenas música, mas todo um escopo contemporâneo da cultura pop. Nem sempre ele posta reflexões, mas quando posta elas são longas e interessantes. Também vale vasculhar o arquivo e ficar ligado.

Por último, o blog do Espaço Cubo, uma cooperativa de produtores e músicos independentes do centro-oeste que estão se unindo ao eixo norte-nordeste do país e construindo alternativas interessantes pra todos os elos da cadeia musical.

É só isso? Claro que não… deve haver muito mais coisas por aí. Mas não vou ser eu a tentar reduzir os blogs relevantes a uma lista particular. Se você tiver algo a compartilhar, manda bala.

6 segundos de som

Como pode um trecho de 6 segundos de som gerar inúmeras versões e, até certo ponto, alguns gêneros musicais inteiros? Como ficam a indústria fonográfica e o sistema de propriedade intelectual diante de gerações sucessivas de música baseadas umas nas outras?

O documentário de Nate Harrison sobre o Amen Break já não é, na verdade, muita novidade - o vídeo é de 2006. Ele mostra como um sample de um lado B obscuro de um compacto dos soulmen Winston Brothers foi largamente utilizado pelo hip-hop, para depois se transformar na fundação do Jungle e do Ragga, mas não o vi o vídeo circulando na internet brasileira, daí publicá-lo aqui. Ele investiga de forma inspirada a história desse sample e como, no caso, o fato de os direitos autorais terem sido ignorados foi fundamental para um enorme volume de produção criativa, e termina apontando pra necessidade da flexibilização de direitos autorais através de licenças como as do Creative Commons e afins.

Aqui no Brasil, temos um caso similar: durante muitos anos o funk carioca baseou-se quase exclusivamente no 808 Volt Mix de um desconhecido DJ de Miami Bass chamado Battery Brain, com menos retoques que no caso das utilizações do Amen Break.

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Guitar God?

Dave Navarro

Comecei a acompanhar Dave Navarro, eterno guitarrista do Jane’s Addiction, através de seu diário na Internet (não se falava em blog naquela época) em 1998 quando fui morar nos EUA. Talvez ele tenha sido o primeiro músico blogueiro, postando sua visão do music business e gerando discuções filosóficas influenciadas pelo uso excessivo de Heroina. O endereço era e continua sendo 6767.com (data de seu aniversário 6/7/67). Continue reading ‘Guitar God?’

Somewhere over the rainbow

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Muito já foi dito, a onda toda já passou, mas acho que é uma hora melhor pra começar a pensar sobre o assunto “Radiohead”.

Primeiro, o que não se comentou muito: que discão!!! Tenho pra mim (na verdade pensei isso pela primeira vez hoje dirigindo) que os grandes discos da música pop sempre prestam tributo a tudo que veio antes deles. Se está faltando alguma coisa, então não é um disco tão marcante. Foi assim com o Nevermind (que tem rock 70, punk, pós-punk, melodias sessentistas e hardcore), foi assim com o London Calling (precisa falar?), foi assim com tudo que é disco relevante.

Bom, hoje a música não se fia mais tanto a esses “discos de virada”, mas estivéssemos nos anos 90 talvez In Rainbows pudesse ter um impacto tão grande quanto Ok Computer. Não faz sentido falar em “segundo Ok Computer”, mas o fato é que os caras atingiram um distante equilíbrio entre o experimentalismo hoje pop do Kid A com a ambiência do Ok Computer, sem deixar de lado a dramaticidade dos dois primeiros discos (que eu particularmente não gosto meishmo).

In Rainbow, como tudo que é bom feito hoje, é construído em camadas. E o material dessas camadas é a história do Radiohead misturada à história do rock. Por exemplo, é possível inserir Faust Arp na linhagem do bardo Nick Drake, à base de violões e orquestração. 15 step tem bateria de eletrônica experimental e dedilhados bem Radiohead. Bodysnatcher é o punk sujo do disco com batida reta e um clima entre o The Doors e o Queens of The Stone Age. Videotape é pura doencinha sufocante ao piano que lembra essas cantoras tipo Feist. O disco não tem uma música ruim e é tecido de forma bastante uniforme, um patchwork muito esperto.

Como os discos do Wilco, In Rainbows é pra ouvir, reouvir e não se cansar de descobrir coisas.

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É uma tese, mas não tenho muitas dúvidas disso: o Radiohead é o novo U2. O Thom Yorke é puro Bono anos 00: porta-voz de um engajamento 2.0 (ok, foi ruim essa…) que diz respeito muito mais à forma como a sociedade se comporta no âmbito da web do que propriamente à suposta vida real formada pelos dramas do terceiro mundo. As guitarras dedilhas e recheadas de reverb, os loops de bateria e o flerte com a pós-modernidade (agora absolutamente mainstream) assinam embaixo: o Radiohead está fazendo, no mundo pop, o papel que o U2 fez nos anos 90. Não faz falta que o Radiohead não tenha hits radiofônicos como o U2 teve e tem, porque agora os hits radiofônicos praticamente não interessam mais. É uma tese que pode render muito mais, mas eu deixo ao gosto do freguês, não vou me estender nisso.

***

Muito se falou dos downloads gratuitos, então não tem porque eu bater ainda mais nessa tecla já gasta. A questão que resta é uma frase que vi em algum lugar e achei ótima: num mundo onde uma banda com a qualidade do Radiohead oferece sua música de graça, por que pagar por tanta porcaria?

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Outra coisa, e essa eu consegui pensar sozinho: houve gente sublinhando o fato de que só 38% das pessoas pagaram pelo download, numa média de seis dólares por álbum (abaixo do preço médio de downloads do itunes e do preço de um CD. Algo como “arrá, viu só, quase ninguém quer pagar, se deu mal”.

Mas aí tem alguns detalhes.

1. O dinheiro dos downloadas foi todo para a banda, que recebeu mais do que os direitos autorais da venda de CDs reais.
2. É impossível saber a porcentagem de pessoas que não pagam por discos lançados apenas para serem vendidos, seja como CDs e downloads. Tem tanta gente baixando que deve ser uma porcentagem bem superior a 62%, que é a fatia dos ouvintes que não pagaram pelo dowload de In Rainbows.

Houve ainda executivos argumentando que a banda não conseguiria fazer isso sem ter uma base de fãs que foi construída com o apoio de uma grande gravadora. Mas existem experiências comerciais bem concretas em andamento de que o contrário também é verdade. De novo eu invoco a Fresno como exemplo, que montou sua base de fãs por si própria através de redes sociais e só então quando seu caminho estava bem pavimentado é que uma grande gravadora se “arriscou” a investir na banda. Super risco né? Uma banda que vinha fazendo show pra 3 mil pessoas por conta própria…

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No caso dos Walverdes, realmente não sabemos o que fazer com o próximo disco. Estamos em dúvida sobre a necessidade de lançar CDs, muito embora eles ainda sejam uma fonte de renda nas turnês. O que acho que vamos precisar fazer é dar uma atenção maior à arte e à caixinha, tornando o suporte algo mais do que mero suporte. Nada de novo, inúmeros boxes de artistas, discos de vinil e pen drives vêm cumprindo esse papel.

É o que fez o Radiohead: a primeira versão em CD de In Rainbows, tipo luxo, custava 40 libras e muita gente comprou mesmo com o acesso irrestrito ao download. Como chamariz, não só um puta projeto gráfico como alguns quitutes gratuitos vinculados ao box.

Aqui tem mais detalhes e um análise bem econômica da história.
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De qualquer forma, o furor em torno da distribuição gratuita de In Rainbows só interessa a quem não interessa mais: ao mainstream, ao grande mercado e a nós, supostos estudiosos. Porque para quem realmente interessa, o público, o futuro mercado de música, isso não está mais em questão, já foi absolutamente resolvido. Quem quer pega, quem não quer não pega. Quando quiser muda de idéia e era isso, pronto. Paga por algumas coisas, não paga por outras. Quem define o que é pago ou não e quando? Todo mundo junto, numa espécie de assembléia informal e orgânica que se regula diariamente. Não acontece só com downloads de música, mas com tudo mais: bolsas Prada, filmes e softwares.

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Pra onde vai tudo isso? Não sei. Tem fã pagando disco de ídolo e esperando o troco. Já tem banda brasileira sugerindo que cada um pague o quanto quer pelo ingresso. Tem de tudo pra todo mundo.

O mundo está cada vez mais parecido com um buffet a quilo. E é uma arte viver em qualquer um dos lados do balcão.

A morte da alta fidelidade

Há pouco saiu materiazinha amiga na Rolling Stone americana sobre a “piorização” da qualidade de som dos CDs atualmente, masterizados de forma tosca pra que as músicas sobrevivam com um bom volume à compressão do mp3.

Masterização é o processo de pós-produção pelo qual passa um álbum. Nessa etapa se acerta o volume do conjunto todo, se reduzem os ruídos, se faz uma equalização única, resumindo, é onde uma boa parte do clima do disco é definida e o masterizador tem que ter a manha pra não achatar ou expandir demais o som da banda, encontrar o ponto certo da história.

O que vem ocorrendo é a criação de um novo padrão de masterização no qual grande parte das nuances são eliminadas em benefício de um volume maior, com mais intensidade. O problema é que isso também significa menos diversidade no som, o que deixa as músicas todas meio iguais. Por exemplo, você pega a visualização gráfica da antiga Smells Like Teen Spirit …

… e compara com I Bet You Look Good on The Dancefloor do Arctic Monkeys…

Sacou? Não é que os Monkeys sejam mais intensos do que o Nirvana. É que o disco deles foi masterizado de forma mais intensa, comprimindo o som e carregando no volume de forma absurda.

A justificativa da indústria para essa mudança é que o som precisa ser mais alto pra fazer sentido sob a forma de um arquivo comprimido (MP3) e que é consumido cada vez mais em caixinhas de computador e fones de iPod, que não oferecem uma fidelidade muito boa no som.

Para o usuário médio isso não faz a menor diferença, mas há artistas, produtores e uma parte do público incomodada com isso. Em alguns casos, até mesmo certos instrumentos ou detahes da música somem no meio da zoeira.

O que provavelmente vai acontecer é que os álbuns “mais bem masterizados” vão se tornar também parte de um nicho indicado (na matéria já se cita movimentos nesse sentido): artigos direcionados, baseados na disposição de uma banda ou um produtor querendo se conectar a um público interessado em uma experiência mais sofisticada em termos de sonoridade.

Apesar de adorar som, não sou propriamente um audiófilo e não vejo volta nesse standard. Evito, na medida do possível, as lamentáveis caixinhas de computador, mas morro nos fones de mp3 player. O som do meu Creative Zen até é bem razoável e há pouco passei uns meses com um celular Motorola K1 que tinha mp3 player e uns fones decentes. Depois de ser roubado, tive que pegar um LG cujos fones já são bem mais podrinhos, mas é a vida.

Isso tudo não é um caso isolado. Como escrevi num post do Conector ano passado, acredito que vivemos uma era de extrema tolerância à baixa resolução, não apenas na música mas também na fotografia, nas artes gráficas, na alimentação e nos relacionamentos humanos. Nénão?

(post publicado originalmente no Conector)

David Byrne entrevista Thom Yorke

Dia 04 passado nosso updater Jorge Carvalho publicou um post sobre uma experiência recente de Trent Reznor (cantor e lider da banda Nine Inch Nails) no terreno do “quer pagar quanto” por um album. Depois que Radiohead fez isso com seu “In Rainbows” todo mundo ficou ouriçado: estariam nomeando o valor da criação musical para zero, acusaram os executivos de grandes gravadoras; estariam revelando ao mundo o futuro absoluto do business musical, exaltaram outros. A MTV chegou a fazer uma reportagem com o nome “O ano em que a indústria quebrou“(ela não quebrou, só está com esclerose múltipla). Bom, a criança do Radiohead ainda nem completou 1 ano de vida, ainda falta engatinhar e falar… portanto tem muita água pra passar por baixo dessa ponte.

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