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Arquivo do autor Gustavo Mini

Paêbirú

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O jornalista Cristiano Bastos entrou numa trip forte: está dissecando a história de um dos discos mais doentes da música brasileira, Paêbirú. A parada vai virar um documentário e, se você levar em consideração o blog do Cristiano e o livro Gauleses Irredutíveis, o resultado vem consistente e instigante.

(Pra quem não conhece, Gauleses Irredutíveis é um livro do Cristiano e mais dois parceiros que fez pelo rock gaúcho o mesmo que o clássico Mate-Me Por Favor fez pela cena novaiorquina: registrou a memória sequelada dos participantes de forma intensa e expontânea.)

Vale também dar uma olhada na pesquisa rápida que o Matias fez a respeito do disco.

Mallu Magalhaes em Porto Alegre

Eu ia dizer que tive a impressão de estar vivendo um momento especial. Mas me recuso: na verdade eu tenho certeza de que vivi um momento muito especial. Tudo ali parecia ter sido pinçado cuidadosamente para construir um cenário bastante específico e totalmente contemporâneo.

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A começar pelo lugar do show, o Porão do Beco, terceiro bem-sucedido empreendimento das “organizações Beco”. A casa que hoje traz o carimbo “Beco” atravessou quatro décadas como Encouraçado Butikin recebendo desde Roberto Carlos e Elizete Cardoso até a revolução disco. Hoje, é o lar simbólico (porque há outros) e factual (porque é o que ficou marcado) do underground portoalegrense. Há pelo menos 4 anos, nas suas sucessivas versões, o Beco vem funcionando (ao lado das extintas festas da antiga Funhouse e segundas no Jeckyll) como eixo do resgate do rock na cidade e da criação de novos pilares construídos por bandas como Superguidis, Pata de Elefante, Pública, Damn Laser Vampires e por aí vai. Sobre esses pilares, toda uma cena se criou, agregando ao palco uma pista de dança e os hoje célebres DJ’s de rock.

Apesar de fazer todo sentido do mundo que “a tal da Mallu Magalhães” fizesse sua estréia gaudéria no Porão do Beco, a sincronia com essa linhagem histórica que eu descrevi termina por aqui. E então começo a sublinhar os elementos de ruptura: um show às nove e meia da noite, com a galera praticamente sóbria e calma (tem se cheirado muito em Porto Alegre) e uma atmosfera leve, sem aquela espessa nuvem de fumaça e energia pesada que costuma tomar conta do ar lá pela uma e meia manhã - horário normal de entrada no palco da primeira banda.

De repente, depois de enfrentar uma fila de 400 metros em nosso primeiro sábado frio e chuvoso, a menina entra no palco. Menina mesmo. Quinze anos, metida num terno não muito apertado, mais para David Byrne do que para Strokes. Não é tímida, se comunica bastante com a platéia. Mas é duas. Quando começa a cantar, interpreta, se entrega, se mistura ao violão, às sequências de notas bem colocadas, às boas letras de psicodelia infantil (um pleonasmo?) em inglês e português, às referências bem pescadas (Beatles, Dylan, Johnny Cash). Nos intervalos, gagueja, pontua as frases com “né?” e “meu”, ri e conta histórias. Às vezes mistura as duas coisas.

Cada detalhe é sorvido por um Porão do Beco lotado de pessoas e de uma alegria sincera. “Mallu, casa comigo” grita uma menina. Sim, o cinismo está presente. Mas a naturalidade de Mallu vence o cinismo e pode-se notar isso no ar. Todo mundo presta atenção no show inteiro, se envolve com as brincadeiras infantis, entra no clima. Porque Mallu é a antítese do que se convencionou como o indie nacional. Ela é serelepe e saltitante, algo que combina mais com meninas de 15 anos do que com meninos de 27 anos (deixemos a Lovefoxxx fora disso). Ela foi na Globo e no programa do Lucio Ribeiro da mesma forma. Ela parece vir de outro planeta (a infância) sem se esforçar pra isso. Ela gosta de platéia (!!!!) mas conversa de igual pra igual e não com aquele surrado diálogo de estádio tipo “boa noooooite portooo alegreeeee” ou “estou muito feliz que vocês estão aqui, beijo no coração de vocês”, essas coisas.

Penso que se o show rolasse às 2 da madrugada com todo mundo bêbado, chapado e cheirado, a coisa seria bem diferente. Mas percebo que aí também reside parte do encanto. Mallu fez cerca de 600 indies saírem de casa mais cedo, beeeeem mais cedo, e participarem de uma experiência diferente das suas vidas.

Ok, ela não fez isso sozinha. Teve ajuda forte. Da internet. Do hype do momento disparado por blogueiros influentes. Da curiosidade em torno de sua história pitoresca. Bem como do estado atual das coisas, tendendo fortemente ao folk. Tudo bem. Fomos até lá também por causa disso. Mas ficamos, assistimos e degustamos o show porque o show é bom. Porque o repertório é bem montado, as músicas são bem interpretadas e a menina consegue o que muito marmanjo não tem condições (eu não tenho): segurar uma platéia só na voz e viola, com bom humor e coração aberto, sem maldade.

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A Mallu, então, é tudo isso? Não, é o contrário: tudo isso é que é a Mallu.

Álbuns inteiros no YouTube

Você já tinha visto essa? Eu não. Por exemplo, o Slycooper007 colocou discos inteiros do Black Rebel Motorcycle Club (meu predileto do momento, Baby 81), Dylan, Who, Strokes, My Bloody Valentine, Bealtes e por aí vai… dá uma vasculhada nos vídeos do cara. Pra quem curte ouvir algo online, sem precisar baixar, é uma pedida interessante. Deve ter mais gente fazendo isso, um searchzinho no YouTube resolve.

Rumo a SP

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A partir de hoje vou estar em SP com a minha banda. Quem quiser bater um papo ou ouvir um som (alto), chega mais. Mais informações aqui.

Fruteira

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Um resumo rápido: o Júpiter Maçã é um dos principais responsáveis pela disseminação da cultura mod no país que tomou conta do underground a partir do fim dos anos 90 e que atingiu o ápice nos últimos anos com a chegada da Cachorro Grande ao mainstream. O que? Exatamente. Flávio Basso, ex- Cascavelletes e ex-TNT, duas bandas gaúchas seminais, gravou em 97 como Júpiter Maçã uma pequena obra-prima chamada A Sétima Efervescência. Considerado um dos 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos pela Rolling Stone brasileira, Sétima Efervescência condensa um arsenal de influências que parecem remeter aos anos 60 mas que na verdade são totalmente calcados na cultura urbana/boêmia portoalegrense. Essa mistura (anos 60 + porto alegre) pode não ter aparecido muito ou não ser largamente reconhecida como uma manifestação regional influente. Mas quem está ligado na cena independente sabe o quanto isso se entranhou no DNA indie nacional.

É esse verniz particular que faz de “Uma Tarde na Fruteira” um disco tão bom quanto (e talvez melhor que) A Sétima Efervescência. Mais uma vez, os anos 60 podem distrair o ouvido mais atento, porque o que na verdade liga a coleção de canções é o próprio jeito júpiter de fazer as coisas: fritado, maluquete e psicodélico. Mas também bastante consistente, bem tocado e, à sua maneira, coerente.Tem marchinha psicótica citando Caetano, tem fado confessional, tem bossa nova experimental, tem rock supersônico tipo Supergrass, tem balada folk, tem George Harrison, mas acima de tudo tem um sabor único e especial cujas raízes estão totalmente ligadas à uma certa demência blasé (não sei explicar, tem que ouvir) que faz do disco uma experiência única.

Outro responsável claro pela exuberância do disco é Thomas Dreher, produtor meio lendário em Porto Alegre pelo jeito tranquilo de fazer discos incríveis e básicos do rock gaúcho (coisas do Wander, Graforréia, Video Hits etc). Anote aí: Uma Tarde na Fruteira é o primeiro grande disco de 2008.

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Ah: algumas faixas do Tarde foram lançados em uma coletânea de mesmo nome pela Elefant Records na Europa. A nova versão está sendo lançado no Brasil pela Monstro Discos.

Walverdes 15 anos

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Postando em causa própria: minha banda, Walverdes, está fazendo 15 anos de vida. Ao longo de 2008, como nas grandes corporações, vamos fazer uma série de esforços comemorativos. Não sei quais vão ser eles exatamente, mas os primeiros já estão no ar.

WALVERDES15.BLOGSPOT.COM - começamos a catar nas memórias os causos, historietas e as pequenas façanhas que compõem o breviário walverdiano. O primeiro registro, com fotos, já está estampado lá. Ao longo do ano vamos alimentando o blog e certamente uma boa parte da trajetória do rock independente brasileiro vai estar ali de pano de fundo.

CARTAZES & FLYERS de eras passadas - os primeiros exemplares também já estão presentes.

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Além disso, vem por aí o relançamento do nosso EP de 1999, o 90 GRaus e algum show de aniversário.

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Isso não significa que vamos ficar olhando para os restos mortais de nossos umbigos passados. Temos shows em São Paulo e Campinas em março com as músicas do disco novo, a gravação do mesmo deve rolar em maio e na sequência também vamos ter shows em Santa Catarina. Eu aviso mais perto.

Reflexões em música pop

O meio musical é pródigo em discussões e reflexões. O problema é que muitas delas não saem das mesas de bar e dos backstages, tudo regado a teorias descompromissadas e muita cerveja - na melhor das hipóteses. Agora cruze os termos “reflexão”, “música” e “blogs” e começamos a ver que é possível não só gerar discussão inteligente como pontos de referência, locais onde essas reflexões ficam registradas e que podem ser consultadas, linkadas e remexidas.

Ultimamente, venho me alimentando em meia dúzia de blogs que discutem as questõs acerca do novo mercado musical e que acabam oferecendo insights interessantes sobre o estado das coisas em geral - não apenas na área da música.

O Hi How Are You? do Eduardo Ramos é um bom exemplo. Indie de longa data, Eduardo já trabalhou na área de artistas internacionais da Trama, levou o Cansei de Ser Sexy pra turnês mundiais (o que acabou em treta, mas enfim, eles que são branco que se entendam), assinou com o Franz Ferdinand pela Trama antes de todo mundo (todo mundo mesmo), fez shows do Mutantes na Europa, trouxe o Teenage Fanclub pro Brasil, entre uma lista de outros bons serviços prestados à “cena”.

Seu irmão, Bruno Ramos, vem fazendo um trabalho de entrevistas, debates e pesquisa a respeito dos caminhos burocráticos e econômicos que as bandas independentes percorrem. Bruno, como Eduardo, é advogado e traz uma visão um pouco mais mercadológica e menos conceitual que é fundamental e bem-vinda. Tudo isso está indo pro blog Música e Mercado.

O produtor Pena Schmidt (uma parte da história do pop brasileiro passou por suas mãos), por sua vez, escreveu bastante no ano passado no Peripécias de Pena. O blog não tem um post novo já há algum tempo, mas o que está arquivado vale uma boa vasculhada.

Outra boa dica é ficar ligado no Trabalho Sujo do Alexandre Matias. O blog em si não cobre apenas música, mas todo um escopo contemporâneo da cultura pop. Nem sempre ele posta reflexões, mas quando posta elas são longas e interessantes. Também vale vasculhar o arquivo e ficar ligado.

Por último, o blog do Espaço Cubo, uma cooperativa de produtores e músicos independentes do centro-oeste que estão se unindo ao eixo norte-nordeste do país e construindo alternativas interessantes pra todos os elos da cadeia musical.

É só isso? Claro que não… deve haver muito mais coisas por aí. Mas não vou ser eu a tentar reduzir os blogs relevantes a uma lista particular. Se você tiver algo a compartilhar, manda bala.

Filomedusa

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Depois do já bastante falado Los Porongas, agora é a vez do Filomedusa fazer as vezes de “nova promessa do rock acreano”, muito embora esse papo de nova promessa só atrapalhe as bandas… mas, enfim. O fato é o nome desse quarteto de Rio Branco começa a extrapolar os limites do Norte e aparecer aqui e ali em blogs especializados depois de fazer bonito em festivais independentes importantes como o Varadouro.

Em comum com os conterrâneos do Los Poronga, e as guitarras bem trabalhadas, sempre pontuando as músicas com dedilhados cheios de chorus ou com intervenções distorcidas a la Pixies. Por cima de tudo, uma voz feminina segura e harmoniosa cantando “morri, ainda em vida / foi quase estranho /algo distraído”. Vale o conferes.

Jamie Lidell novo

Talvez pouca gente lembre, mas ele fez um dos melhores shows do Tim Festival de 2005. Tem vídeo novo do cara no YouTube, anunciando que vem mais funk desconstruído por aí… mais info por aqui.

Brinde

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Escrevi esse release no ano passado. Recomendo fortemente essa banda. Vai lá no Myspace dos caras enquanto lê o textão…

“Sabe aquela coragem? Aquela de fazer rock na Bahia, um estado cuja boa parte de sua economia é baseada em um tipo de som diametralmente oposto? Pois então. Por incrível que pareça, não é essa a coragem que move a Brinde em seu segundo disco. Enfrentar esse desafio já virou clichê e não é mais problema para a Brinde e para boa parte da cena musical brasileira, que está cada vez mais livre de amarras geográficas e estéticas. “Aquela coragem”, eu deduzo a partir da audição do segundo disco da banda de Cruz das Almas, é a difícil arte de soar contemporânea sem beber direto na fonte oitentista que irriga a maior parte do som praticado por seus parceiros de geração. Diferente da maioria, a Brinde abriu mão dos anos 80 e foi direto aos anos 60 buscar melodias ensolaradas e aos anos 90 capturar um pouco de sujeira e auto-ironia. Estamos falando de elementos que compõem a espinha dorsal do som de bandas como The Who, Supergrass, The Jam, Superchunk, Husker Du (e, logo, o Sugar). O resultado é uma respeitável coleção de 11 canções tão desleixadas quanto cristalinas. As letras do guitarrista e vocalista Henrique Neves seguem essa lógica: há confissão, há ingenuidade, há amor. Mas também há uma saudável pitada de sarcasmo, uma sutil porém sempre presente decisão de não se levar a sério. Isso retira o que poderia pesar demais e colocar a banda dentro do mesmo balaio cultural que hoje abriga blogueiros e roqueiros emo. Henrique tem a pecha de cuspir declarações de amor tipo “Descobrindo estar a seus pés / Desmarquei visitas a bordéis” e também de enfileirar versos aparentemente desconexos como “Devaneios teatrais / De quem disfarça e se retrai / Enquadrado com rigor / Desnecessário e sem pudor / Aos seus anseios anormais / Desvios comportamentais”. Do que ele está falando? Não sei. Na melhor tradição de Kurt Cobain, são mensagens cifradas que podem tanto esconder a dor e a angústia como o riso abafado de quem sabe que no fundo o ser humano nunca vai conseguir entender tudo mesmo.
Quem auxilia Henrique a colocar esses versos num contexto menos emotivo e mais supersônico é o baixista Leno Blumetti e o baterista Voltz, que assumem a árdua tarefa de tecer diferentes dinâmicas dentro de cada canção: há idas e vindas na melodia e no andamento, sempre na medida certa, nunca exagerando, cuidando para enfatizar um bom riff e não se perder na repetição de uma virada bem sacada (um dos grandes predicados do já citado Supergrass). Difícil equilíbrio este, mas ele é mantido com uma surpreendente maturidade, ainda mais se levarmos em conta que este é recém o segundo álbum da banda –mais solto e sujo do que o primeiro, diga-se de passagem. Então, no fim das contas, resta-nos ter a mesma coragem do trio baiano e se entregar ao disco sem muito drama, com um espírito aberto e leve. Em pouco mais de meia hora, a Brinde mais pergunta do que responde, mais intui do que confessa e mais agita do que acalma. E não se preocupe demais com essa indecisão. Porque eles não parecem não se preocupar muito.”

Somewhere over the rainbow

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Muito já foi dito, a onda toda já passou, mas acho que é uma hora melhor pra começar a pensar sobre o assunto “Radiohead”.

Primeiro, o que não se comentou muito: que discão!!! Tenho pra mim (na verdade pensei isso pela primeira vez hoje dirigindo) que os grandes discos da música pop sempre prestam tributo a tudo que veio antes deles. Se está faltando alguma coisa, então não é um disco tão marcante. Foi assim com o Nevermind (que tem rock 70, punk, pós-punk, melodias sessentistas e hardcore), foi assim com o London Calling (precisa falar?), foi assim com tudo que é disco relevante.

Bom, hoje a música não se fia mais tanto a esses “discos de virada”, mas estivéssemos nos anos 90 talvez In Rainbows pudesse ter um impacto tão grande quanto Ok Computer. Não faz sentido falar em “segundo Ok Computer”, mas o fato é que os caras atingiram um distante equilíbrio entre o experimentalismo hoje pop do Kid A com a ambiência do Ok Computer, sem deixar de lado a dramaticidade dos dois primeiros discos (que eu particularmente não gosto meishmo).

In Rainbow, como tudo que é bom feito hoje, é construído em camadas. E o material dessas camadas é a história do Radiohead misturada à história do rock. Por exemplo, é possível inserir Faust Arp na linhagem do bardo Nick Drake, à base de violões e orquestração. 15 step tem bateria de eletrônica experimental e dedilhados bem Radiohead. Bodysnatcher é o punk sujo do disco com batida reta e um clima entre o The Doors e o Queens of The Stone Age. Videotape é pura doencinha sufocante ao piano que lembra essas cantoras tipo Feist. O disco não tem uma música ruim e é tecido de forma bastante uniforme, um patchwork muito esperto.

Como os discos do Wilco, In Rainbows é pra ouvir, reouvir e não se cansar de descobrir coisas.

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É uma tese, mas não tenho muitas dúvidas disso: o Radiohead é o novo U2. O Thom Yorke é puro Bono anos 00: porta-voz de um engajamento 2.0 (ok, foi ruim essa…) que diz respeito muito mais à forma como a sociedade se comporta no âmbito da web do que propriamente à suposta vida real formada pelos dramas do terceiro mundo. As guitarras dedilhas e recheadas de reverb, os loops de bateria e o flerte com a pós-modernidade (agora absolutamente mainstream) assinam embaixo: o Radiohead está fazendo, no mundo pop, o papel que o U2 fez nos anos 90. Não faz falta que o Radiohead não tenha hits radiofônicos como o U2 teve e tem, porque agora os hits radiofônicos praticamente não interessam mais. É uma tese que pode render muito mais, mas eu deixo ao gosto do freguês, não vou me estender nisso.

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Muito se falou dos downloads gratuitos, então não tem porque eu bater ainda mais nessa tecla já gasta. A questão que resta é uma frase que vi em algum lugar e achei ótima: num mundo onde uma banda com a qualidade do Radiohead oferece sua música de graça, por que pagar por tanta porcaria?

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Outra coisa, e essa eu consegui pensar sozinho: houve gente sublinhando o fato de que só 38% das pessoas pagaram pelo download, numa média de seis dólares por álbum (abaixo do preço médio de downloads do itunes e do preço de um CD. Algo como “arrá, viu só, quase ninguém quer pagar, se deu mal”.

Mas aí tem alguns detalhes.

1. O dinheiro dos downloadas foi todo para a banda, que recebeu mais do que os direitos autorais da venda de CDs reais.
2. É impossível saber a porcentagem de pessoas que não pagam por discos lançados apenas para serem vendidos, seja como CDs e downloads. Tem tanta gente baixando que deve ser uma porcentagem bem superior a 62%, que é a fatia dos ouvintes que não pagaram pelo dowload de In Rainbows.

Houve ainda executivos argumentando que a banda não conseguiria fazer isso sem ter uma base de fãs que foi construída com o apoio de uma grande gravadora. Mas existem experiências comerciais bem concretas em andamento de que o contrário também é verdade. De novo eu invoco a Fresno como exemplo, que montou sua base de fãs por si própria através de redes sociais e só então quando seu caminho estava bem pavimentado é que uma grande gravadora se “arriscou” a investir na banda. Super risco né? Uma banda que vinha fazendo show pra 3 mil pessoas por conta própria…

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No caso dos Walverdes, realmente não sabemos o que fazer com o próximo disco. Estamos em dúvida sobre a necessidade de lançar CDs, muito embora eles ainda sejam uma fonte de renda nas turnês. O que acho que vamos precisar fazer é dar uma atenção maior à arte e à caixinha, tornando o suporte algo mais do que mero suporte. Nada de novo, inúmeros boxes de artistas, discos de vinil e pen drives vêm cumprindo esse papel.

É o que fez o Radiohead: a primeira versão em CD de In Rainbows, tipo luxo, custava 40 libras e muita gente comprou mesmo com o acesso irrestrito ao download. Como chamariz, não só um puta projeto gráfico como alguns quitutes gratuitos vinculados ao box.

Aqui tem mais detalhes e um análise bem econômica da história.
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De qualquer forma, o furor em torno da distribuição gratuita de In Rainbows só interessa a quem não interessa mais: ao mainstream, ao grande mercado e a nós, supostos estudiosos. Porque para quem realmente interessa, o público, o futuro mercado de música, isso não está mais em questão, já foi absolutamente resolvido. Quem quer pega, quem não quer não pega. Quando quiser muda de idéia e era isso, pronto. Paga por algumas coisas, não paga por outras. Quem define o que é pago ou não e quando? Todo mundo junto, numa espécie de assembléia informal e orgânica que se regula diariamente. Não acontece só com downloads de música, mas com tudo mais: bolsas Prada, filmes e softwares.

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Pra onde vai tudo isso? Não sei. Tem fã pagando disco de ídolo e esperando o troco. Já tem banda brasileira sugerindo que cada um pague o quanto quer pelo ingresso. Tem de tudo pra todo mundo.

O mundo está cada vez mais parecido com um buffet a quilo. E é uma arte viver em qualquer um dos lados do balcão.

A morte da alta fidelidade

Há pouco saiu materiazinha amiga na Rolling Stone americana sobre a “piorização” da qualidade de som dos CDs atualmente, masterizados de forma tosca pra que as músicas sobrevivam com um bom volume à compressão do mp3.

Masterização é o processo de pós-produção pelo qual passa um álbum. Nessa etapa se acerta o volume do conjunto todo, se reduzem os ruídos, se faz uma equalização única, resumindo, é onde uma boa parte do clima do disco é definida e o masterizador tem que ter a manha pra não achatar ou expandir demais o som da banda, encontrar o ponto certo da história.

O que vem ocorrendo é a criação de um novo padrão de masterização no qual grande parte das nuances são eliminadas em benefício de um volume maior, com mais intensidade. O problema é que isso também significa menos diversidade no som, o que deixa as músicas todas meio iguais. Por exemplo, você pega a visualização gráfica da antiga Smells Like Teen Spirit …

… e compara com I Bet You Look Good on The Dancefloor do Arctic Monkeys…

Sacou? Não é que os Monkeys sejam mais intensos do que o Nirvana. É que o disco deles foi masterizado de forma mais intensa, comprimindo o som e carregando no volume de forma absurda.

A justificativa da indústria para essa mudança é que o som precisa ser mais alto pra fazer sentido sob a forma de um arquivo comprimido (MP3) e que é consumido cada vez mais em caixinhas de computador e fones de iPod, que não oferecem uma fidelidade muito boa no som.

Para o usuário médio isso não faz a menor diferença, mas há artistas, produtores e uma parte do público incomodada com isso. Em alguns casos, até mesmo certos instrumentos ou detahes da música somem no meio da zoeira.

O que provavelmente vai acontecer é que os álbuns “mais bem masterizados” vão se tornar também parte de um nicho indicado (na matéria já se cita movimentos nesse sentido): artigos direcionados, baseados na disposição de uma banda ou um produtor querendo se conectar a um público interessado em uma experiência mais sofisticada em termos de sonoridade.

Apesar de adorar som, não sou propriamente um audiófilo e não vejo volta nesse standard. Evito, na medida do possível, as lamentáveis caixinhas de computador, mas morro nos fones de mp3 player. O som do meu Creative Zen até é bem razoável e há pouco passei uns meses com um celular Motorola K1 que tinha mp3 player e uns fones decentes. Depois de ser roubado, tive que pegar um LG cujos fones já são bem mais podrinhos, mas é a vida.

Isso tudo não é um caso isolado. Como escrevi num post do Conector ano passado, acredito que vivemos uma era de extrema tolerância à baixa resolução, não apenas na música mas também na fotografia, nas artes gráficas, na alimentação e nos relacionamentos humanos. Nénão?

(post publicado originalmente no Conector)

Ok Go, agora com leds

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O Ok Go, mais conhecido como “a banda que dança nas esteiras” agora arrumou outra coisa pra chamar a atenção. Foram lá pro Moritz Waldemeyer, um designer aí da pá virada como se vê nesse vídeo sobre o London Design Festival, e o cara sugeriu leds nas costas dos casaquinhos. É só eles se virarem durante o show que fica passando textinhos e gráficos espertos.

Segundo o Dezeen, de onde eu roubei esse post, as roupas foram usadas pela primeira vez semana passada, dia 22, num evento da Smirnoff.Agora, se liga no vídeo aí em cima… além dos leds todos high-tech, tem também no palco uns polvos meio afilhados dos bonecos de posto…

Então tá. Vai, Ok.

MaisSoma Mixtapes

Stephan

Conhece a MaisSoma? É uma revista gratuita de SP com conteúdo e design de muita classe. Classe A com estrelinhas. A última edição foi, em parte, dedicada às fitas cassetes. Além de uma coluna que eu escrevi sobre o assunto, teve também uma série de mixtapes feitas por gente tipo o rapper Parteum, o artista Stephan Doitschmoff, o DJ Guab, o artista/músico Claudio Issa, entre outras gentes.

Além do som em si, também rolou uma exposição virtual com a parte gráfica das fitinhas. Tudo à disposição gratuitamente no site da MaisSoma: a arte na galeria e o som no Somacast.

O Hip Hop através de gráficos

Beastie Boys.

MC Hammer

Dr. Dre.

Dr Dre + Eminem

Tem muito mais aqui.

Cortesia do Serial Cliquer.





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