Aproveitando a deixa do Wagner e do vídeo sensacional com o Hancock e o Quincy Jones, resolvi postar um dos meus favoritos: um vídeo promocional do pop eletrônico do Giorgio Moroder, em torno de 1978. “Recording from a recording studio that even NASA can’t match”, diz o narrador ao final do vídeo.
O legal do Moroder é que a eletrônica não estava presente apenas na música em si, havia também a fetichização da tecnologia pra além dela. Eu acho fascinante o fato de ter sido ele quem resolveu, lá por 1984, produzir a restauração, a colorização e a produção da trilha do filme (originalmente mudo) Metropolis do Fritz Lang, até então em grande parte perdido.
E, para muitos, o Moroder é um dos principais responsáveis pela avalanche de música eletrônica das últimas décadas, ao fazer em 1977 uma produção quase 100% eletrônica para o hit I feel love da diva Donna Summer, então no auge da glória do Disco.
Está prevista para o segundo semestre o lançamento de mais uma versão do Celemony Melodyne, software que “afina” nas gravações muitos dos cantores desafinados que conhecemos. A grande diferença é que agora o software promete controlar notas individualmente dentro de um acorde.
Isso significa que vai ser possível, entre outras coisas, corrigir um pianista que tocou uma nota errada ou afinar um violão depois da gravação, ou ainda corrigir um único cantor desafinado num coro. Mas o mais interessante é o potencial para recriar sons a partir de gravações antigas: você vai poder, por exemplo, pegar aquele lá maior tocado pelo Jimi Hendrix de que você gosta e fazer dele um dó menor, um arpejo de ré maior ou qualquer outra coisa que der na telha.
Veja um vídeo explicativo:
Um par de artistas fez uma pesquisa indagando os entrevistados sobre o que eles mais odiavam em música. Como resultado, produziram 23 minutos de música misturando harpas, bossa nova no sintetizador, ópera e rap. Com isso, eles pretendem ter produzido uma tentativa científica de reunir o pior possível em música. Quer ouvir?
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Felipe Vaz em 25 de Fevereiro de 2008 às 5:21 pm
A revista alemã Groove publicou uma série em que visita as casas de alguns dos DJs de música eletrônica mais festejados da atualidade, e traz fotos do ambiente em que vivem e trabalham (quando não estão discotecando). O site da revista não tem a reportagem online, mas neste endereço fizeram a gentileza de escanear e disponibilizar as fotos, que eu categorizo como vinyl porn.
(obrigado ao CrisDias por recuperar o link com os scans!)
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Felipe Vaz em 17 de Fevereiro de 2008 às 10:18 am
Como pode um trecho de 6 segundos de som gerar inúmeras versões e, até certo ponto, alguns gêneros musicais inteiros? Como ficam a indústria fonográfica e o sistema de propriedade intelectual diante de gerações sucessivas de música baseadas umas nas outras?
O documentário de Nate Harrison sobre o Amen Break já não é, na verdade, muita novidade - o vídeo é de 2006. Ele mostra como um sample de um lado B obscuro de um compacto dos soulmen Winston Brothers foi largamente utilizado pelo hip-hop, para depois se transformar na fundação do Jungle e do Ragga, mas não o vi o vídeo circulando na internet brasileira, daí publicá-lo aqui. Ele investiga de forma inspirada a história desse sample e como, no caso, o fato de os direitos autorais terem sido ignorados foi fundamental para um enorme volume de produção criativa, e termina apontando pra necessidade da flexibilização de direitos autorais através de licenças como as do Creative Commons e afins.
Aqui no Brasil, temos um caso similar: durante muitos anos o funk carioca baseou-se quase exclusivamente no 808 Volt Mix de um desconhecido DJ de Miami Bass chamado Battery Brain, com menos retoques que no caso das utilizações do Amen Break.
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