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Fruteira

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Um resumo rápido: o Júpiter Maçã é um dos principais responsáveis pela disseminação da cultura mod no país que tomou conta do underground a partir do fim dos anos 90 e que atingiu o ápice nos últimos anos com a chegada da Cachorro Grande ao mainstream. O que? Exatamente. Flávio Basso, ex- Cascavelletes e ex-TNT, duas bandas gaúchas seminais, gravou em 97 como Júpiter Maçã uma pequena obra-prima chamada A Sétima Efervescência. Considerado um dos 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos pela Rolling Stone brasileira, Sétima Efervescência condensa um arsenal de influências que parecem remeter aos anos 60 mas que na verdade são totalmente calcados na cultura urbana/boêmia portoalegrense. Essa mistura (anos 60 + porto alegre) pode não ter aparecido muito ou não ser largamente reconhecida como uma manifestação regional influente. Mas quem está ligado na cena independente sabe o quanto isso se entranhou no DNA indie nacional.

É esse verniz particular que faz de “Uma Tarde na Fruteira” um disco tão bom quanto (e talvez melhor que) A Sétima Efervescência. Mais uma vez, os anos 60 podem distrair o ouvido mais atento, porque o que na verdade liga a coleção de canções é o próprio jeito júpiter de fazer as coisas: fritado, maluquete e psicodélico. Mas também bastante consistente, bem tocado e, à sua maneira, coerente.Tem marchinha psicótica citando Caetano, tem fado confessional, tem bossa nova experimental, tem rock supersônico tipo Supergrass, tem balada folk, tem George Harrison, mas acima de tudo tem um sabor único e especial cujas raízes estão totalmente ligadas à uma certa demência blasé (não sei explicar, tem que ouvir) que faz do disco uma experiência única.

Outro responsável claro pela exuberância do disco é Thomas Dreher, produtor meio lendário em Porto Alegre pelo jeito tranquilo de fazer discos incríveis e básicos do rock gaúcho (coisas do Wander, Graforréia, Video Hits etc). Anote aí: Uma Tarde na Fruteira é o primeiro grande disco de 2008.

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Ah: algumas faixas do Tarde foram lançados em uma coletânea de mesmo nome pela Elefant Records na Europa. A nova versão está sendo lançado no Brasil pela Monstro Discos.

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