(Txt na íntegra por Anderson Moura / REAL Updaters)
Muitos artistas independentes reclamam de como é difícil conseguir contratos com as grandes gravadoras. O sonho de ser uma estrela da música sempre parece mais distante conforme o tempo passa. Mas pode ser que os artistas estejam procurando investimentos no lugar errado. Por que não buscar patrocínio… com os próprios fãs?
É o que acontece no site Sellaband. Se você é um artista, cadastre-se, mostre sua demo e convide seus fãs para que eles façam doações. O montante arrecadado servirá para que o site faça a gravação e produção do seu primeiro álbum. As músicas serão distribuídas para download no próprio site, e você ganha por cada música baixada.
Ou se você é apenas alguém que gosta de música, pode procurar bandas de seu interesse no site e financiar o sonho delas com até 10 dólares. Até agora, 6 bandas já conseguiram gravar seu primeiro álbum só com as doações do site.
Isso é crowdfunding puro.
Hein?
Calma, vamos lá: crowdfunding é uma derivação do crowdsourcing, modelo de operação onde o trabalho é descentralizado dos donos do processo e várias pessoas passam a contribuir com um ideal em comum. Um exemplo é o trabalho com o desenvolvimento do sistema Linux, onde vários colaboradores trabalham em diversos locais do mundo melhorando uma ferramenta de código aberto. É a ‘multidão’ mostrando a força da inteligência coletiva, e apontando onde empresas e indivíduos ainda não chegaram.
Nesse caso, o crowdfunding traz a colaboração à essência da economia de doação: eu sei para quem estou dando (ou trocando) algo, e por isso crio uma relação de confiança com essa pessoa. Bem diferente da economia de mercado atual, onde eu compro algo de alguém e a relação acaba aí. No caso do Sellaband, os 10 dólares de cada fã são a prova de que cada doador acredita na sua banda preferida, quer ver ela chegar longe. E as bandas ainda podem se comunicar diretamente com os fãs, estreitando a relação. É a ‘multidão’ financiando diretamente um sonho, uma idéia, sem intermediários.
O conceito não se aplica somente às redes sociais de música: no site Prosper, por exemplo, os americanos podem emprestar quantias para qualquer um que se cadastre lá e dê um motivo justificável para receber esse dinheiro: pagar as dívidas, financiar os estudos, comprar uma guitarra nova… e com a taxa de juros definida por quem emprestou (só lembrando que no Brasil esse modelo de negócio não vinga, por caracterizar agiotagem).
Outra iniciativa é o site A Swarm of Angels. Eles estão coletando 1 milhão de libras para realizar um filme independente e deixar para download para os membros do site.
É uma reviravolta e tanto nos modelos de negócio atuais. Imagine isso em maiores proporções. No futuro, pode ser que não hajam mais intermediários entre os negócios financeiros. É uma mudança de paradigma gritante. Por isso o modelo ainda não está completamente disseminado: faltam iniciativas de impacto que justifiquem essa nova tendência. Mas ela existe, está ai, e promete fazer bem mais barulho do que as bandas do Sellaband.
E você, o que acha? Tem algum exemplo de crowdfunding que você lembrou agora?